Graduado em Direito, pela Universidade Cândido Mendes, Mestre em Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Doutor em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Pós-Doutor em Ciência da Religião, pela Universidade Federal de Juiz de Fora e Pós-Doutor em Filosofia (com ênfase em Afro-Metafísica), pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Em 2022 foi eleito imortal pela Academia Pan-americana de Letras e Artes (titular da cadeira nº 41 - Edgar Allan Poe). Professor de Filosofia e Cultura Ioruba junto ao Programa de Estudos e Pesquisas das Religiões (PROEPER/UERJ); Professor de Idioma, Filosofia e Cultura Ioruba junto ao Programa de Línguas Estrangeiras Modernas (PROLEM/UFF). Advogado especialista em Direitos Humanos, com ênfase em legislação relativa à Liberdade Religiosa. Consultor junto ao IPHAN para inclusão do idioma ioruba no Índice Nacional de Diversidade Linguística. Membro fundador do Conselho Estadual de Defesa e Promoção da Liberdade Religiosa. Membro do grupo de pesquisa Kékeré, junto ao Programa de Pós Graduação em Educação da Uerj (Proped/Uerj).
Foi Coordenador Executivo da Diversidade Religiosa do Município do Rio de Janeiro (2022/2025) e Superintendente Estadual de Defesa e Promoção da Liberdade Religiosa RJ (2017/2021). É Babalorixa do Ilé Àṣẹ Àiyé Obálúwàiyé, no Rio de Janeiro, Brasil.
Tem experiência na área de filosofia e teologia africana com ênfase em religião ioruba. Autor dos livros: Orí - a Cabeça como Divindade (2015); Yorùbá - Vocabulário Temático do Candomblé (2017); Ewé: a Chave do Portal (2019); Odù - os Yorubas e o Destino (2016); Candomblé em tempos de Crise: Pensando a Religião Antes, Durante e Após a Pandemia (2020); Nkó Yorùbá - Gramática, Conversação e Tradução (2020); A Sala de Aula Não Cabe no Mundo - Compreendendo a Nagologia Ioruba e suas Metodologias Singulares (2021); Abilayo.- Nascido da Alegria (2021); Akin e a Visita de Àrùn (2023) e Filosofia Descolonial do Candomblé Nagô (2024).
Em sua obra e em suas palestras, articula tradição e contemporaneidade, oferecendo ao público caminhos de reflexão profunda sobre identidade, destino e consciência. Seu livro “Ori – A Cabeça como Divindade” é hoje referência nos estudos da espiritualidade iorubá e sobre processos de realinhamento pessoal.
Márcio Righetti, conhecido como Márcio de Jagun, foi iniciado no Candomblé em 1980. Em 2001, fundou sua Casa, o Ilé Àṣẹ Àiyé Ọbalúwáiyé, em Pedra de Guaratiba, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), com as bênçãos de seu sacerdote à época, Josemar de Ògún.
Após o falecimento de Pai Josemar, Márcio de Jagun passou a integrar a linhagem espiritual do Bàbá Pèsé, da tradicional Casa de Oxumarê, da qual seu antigo sacerdote já era descendente religioso.
Na Casa de Oxumarê, integra o Conselho dos Arabaiyê, responsável pela preservação, pesquisa e compilação das tradições da Casa, além de compor o Comitê Jurídico da instituição.
À frente do Ilé Àṣẹ Àiyé Ọbalúwáiyé, vem construindo uma trajetória marcada pelo compromisso com a ancestralidade, a preservação das tradições afro-brasileiras e a formação de novas gerações dentro do Candomblé. Sob sua liderança espiritual, a Casa consolidou-se como um espaço de acolhimento, continuidade e transmissão de saberes, reunindo hoje filhos, netos e bisnetos no culto aos orixás.
Reconhecendo-se como alguém profundamente acolhido pelo Candomblé, Márcio de Jagun tem como princípio honrar a memória e a contribuição histórica das lideranças negras que sustentaram e preservaram as tradições de matriz africana no Brasil. Sua atuação também se destaca pelo compromisso contínuo com a liberdade religiosa, bem como com a pesquisa, a difusão e a valorização das religiosidades afro-brasileiras.
Desenvolveu, ao longo de sua trajetória, uma atuação destacada na defesa dos Direitos Humanos, especialmente no enfrentamento à intolerância religiosa e na promoção da liberdade de crença.
Como advogado e ativista da causa afro-brasileira, ganhou projeção internacional em 2014 ao denunciar, junto ao Ministério Público Federal, a veiculação de conteúdos de intolerância religiosa na internet. À época, presidia a Associação Nacional de Mídia Afro, fortalecendo ações de defesa das tradições e comunidades de matriz africana.
Fundador do Instituto Orí, também apresentou o Programa Orí na Rádio Metropolitana e na TVC Rio durante uma década, dedicando-se à difusão da cultura, da filosofia e das religiosidades afro-brasileiras.
Sua atuação institucional inclui ainda a participação, como proponente e consultor junto ao IPHAN, no processo de reconhecimento do idioma iorubá como a primeira língua africana incluída no Inventário Nacional da Diversidade Linguística, iniciativa de grande relevância para a preservação da memória e do patrimônio cultural afro-brasileiro.
Na gestão pública, Márcio de Jagun desenvolveu uma atuação pioneira na formulação e implementação de políticas voltadas à promoção da liberdade religiosa no Estado do Rio de Janeiro.
Ao longo de sua trajetória institucional, participou da criação e consolidação do Plano Estadual de Liberdade Religiosa, além da implementação dos Conselhos Estadual e Municipal de Promoção da Liberdade Religiosa, iniciativas fundamentais para o fortalecimento do diálogo inter-religioso e da garantia de direitos.
Também esteve à frente de propostas legislativas de caráter inovador, entre elas o reconhecimento e tombamento de idiomas africanos preservados no Brasil, como o iorubá, as línguas jeje e bantu, valorizando a herança linguística e cultural afro-brasileira.
Idealizou e implantou os primeiros NAVIRs — Núcleos de Atendimento às Vítimas de Intolerância Religiosa — no Estado do Rio de Janeiro, ampliando os mecanismos de acolhimento e proteção às vítimas de discriminação religiosa.
Sua atuação inclui ainda a proposição de medidas voltadas ao fortalecimento da laicidade do Estado, como o Plano de Assistência às Vítimas de Intolerância Religiosa e iniciativas relacionadas ao reconhecimento do assédio religioso como prática discriminatória.
Exerceu os cargos de Superintendente Estadual de Promoção da Liberdade Religiosa e de Coordenador de Diversidade Religiosa no Município do Rio de Janeiro, consolidando uma trajetória marcada pela defesa dos direitos fundamentais e pela valorização da diversidade religiosa brasileira.
Márcio de Jagun (nascido Márcio Dodds Righetti Mendes) nasceu no bairro de São Cristóvão, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), Brasil.
Seu pai, Edison Mendes, filho de italianos, foi jornalista e cronista de importantes veículos da imprensa brasileira, entre eles Jornal do Brasil, Correio da Manhã, Última Hora e Diários Associados. Sua mãe, Ilma Guerra Dodds, bisneta de pessoas escravizadas, formou-se em biblioteconomia e dedicou sua vida à criação dos filhos e às causas sociais.
Embora tenha nascido no Rio de Janeiro, foi em Niterói (RJ) que viveu sua infância e adolescência. Somente após o casamento retornou à capital fluminense, onde passou a residir definitivamente.
Graduou-se em Direito e iniciou sua trajetória profissional na área do Direito Tributário. No início da década de 1990, direcionou sua atuação para uma vertente então emergente no país: o Direito Portuário, tornando-se um dos pioneiros dessa especialidade no Brasil.
A partir dos anos 2000, passou a dedicar-se mais intensamente à defesa dos Direitos Humanos, com destaque para as causas relacionadas à liberdade religiosa. Participou ativamente da construção dos marcos regulatórios do Direito Religioso no Brasil, consolidando-se, mais uma vez, como pioneiro nessa área jurídica.